Os meios de comunicação nas mãos de poucos

Nos últimos meses, o Brasil perdeu uma boa oportunidade de discutir a democratização dos meios de comunicação.

Do lado do governo, o então presidente Lula assumia uma postura provocativa em relação aos grandes meios, dando margem a toda espécie de invencionices sobre suas intenções em relação ao assunto.

Do lado dos meios, os editores reinventavam as teorias do jornalismo e incorporavam interesses empresariais e políticos ao tema da liberdade de expressão: alegavam que o país estava na iminência de uma censura à imprensa.

Os dois lados lançaram cortinas de fumaça. O ponto central do debate foi deixado de lado.

Os defensores da proposta do governo, sobre o marco regulatório dos meios, se perderam no debate político partidário e caíram em uma armadilha ideológica.

Os grandes meios aproveitaram a deixa. Reforçaram suas posições contrárias a qualquer tipo de discussão sobre a atual estrutura dos meios de comunicação no país.

No Brasil, segundo a pesquisa Os Donos da Mídia, a estrutura de comunicação é controlada por menos de dez empresas, que concentram um brutal poder sobre o que é visto, lido e ouvido no país.

A questão das emissoras de rádio é emblemática: Globo e RBS, por exemplo, controlam cerca de 400 emissoras. No caso da TV, a situação não é menos grave: sozinha, a Globo controla 340 canais.

Debate necessário

Na primeira semana de 2011, os Estados Unidos promulgaram a Lei de Rádios Comunitárias. Ela permitirá que centenas ou milhares de comunidades consigam autorização para operar suas próprias emissoras.

No Brasil, o tema das rádios comunitárias é um tabu, assunto proibido nos meios de comunicação, no Congresso e em diversas esferas governamentais.

No Brasil, colocar no ar uma rádio comunitária é arrumar briga com a Polícia Federal, que lacra os transmissores, e com as empresas de comunicação de massa, que alegam “pirataria” e invasão de seus direitos comerciais e jornalísticos.

A sociedade civil organizada precisa parar de cair nas armadilhas do lobby do jornalismo industrial. Liberdade de expressão não tem nada a ver com concentração dos meios de comunicação nas mãos de meia dúzia de empresas.

É necessário democratizar a distribuição dos meios, sem medo e sem artimanhas ideológicas.

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