Comunicação interna pra que?

Falar de Comunicação Interna é quase um tabu nas organizações do Terceiro Setor. Quando se toca nesse assunto, duas reações são mais comuns.

A primeira: “Nossa organização ainda não precisa de um planejamento de comunicação interna”.

A segunda: “Temos problemas de comunicação interna, mas existem coisas mais urgentes para resolver”.

Há ainda uma terceira reação, menos comum, que acontece em organizações centralizadas nas decisões do líder: “Não temos problemas de Comunicação Interna”.

Como qualquer grupo formado por mais de uma pessoa tem problemas de comunicação, a primeira e a terceira respostas ficam descartadas de imediato. A segunda resposta, a de que existem coisas mais urgentes, muitas vezes aparece quando não se conhece a importância da Comunicação Interna na busca dos objetivos externos.

Para refletir sobre o papel da Comunicação Interna nas organizações do Terceiro Setor, partimos de duas referências: o conceito de Poder Expressivo, do professor e jornalista Gaudêncio Torquato; e a análise sobre o poder nas organizações complexas, do sociólogo Amitai Etzione.

Quarto Poder

Em sua Teoria Estruturalista, Etzione diz que as organizações complexas são ordenadas por três poderes básicos: remunerativo, normativo e coercitivo. O primeiro é baseado no controle dos recursos econômicos, o segundo na moral e nas recompensas simbólicas e o terceiro nas sanções físicas.

Ao estudar esses três poderes, Torquato acrescentou aquele que nos interessa: o Poder Expressivo. Nesse quarto poder, a Comunicação se torna fundamental para alcançar as metas de engajamento e obtenção de resultados.

Cabe lembrar que para obter resultados não basta estar engajado. Você pode dedicar a vida para salvar uma comunidade ou um bioma. Se não obtiver resultados, a causa estará perdida. Para obter resultados, as ações precisam ser eficazes.

A Comunicação Interna tem muito a contribuir nesse processo. É ela que faz as coisas acontecerem no interior da organização. É como um lubrificante. Sem ela, a burocracia e o instrumentalismo engessam a engrenagem e a organização fica presa às suas próprias contradições.

Foco na missão

As formas convencionais de fazer Comunicação Interna resolvem os problemas básicos da gestão e da troca de informações burocráticas, o que é muito pouco. A Comunicação Expressiva, ao contrário, está focada em dar vida aos processos e às relações internas.

É muito importante uma estrutura de Comunicação Interna que atenda as necessidades da causa e dê peso aos mecanismos de troca de informações entre os atores. Uma boa Comunicação Interna nasce de um processo, não nasce de um desejo da gerência ou uma decisão do colegiado. Você certamente ouviu nas reuniões: “Gente, precisamos melhorar a comunicação entre nós”.  Em geral, fica só nisso.

“Precisamos melhorar a comunicação entre nós” é a constatação de um problema e a manifestação de um desejo, o de resolver o problema. A parte mais difícil é criar o processo.

No que diz respeito à Comunicação Interna, as organizações da Sociedade Civil padecem do mesmo problema que empresas, sindicatos e governos: uma tendência obsessiva em reter informações nos níveis intermediários.

Salvo pouquíssimas exceções de ordem estratégica, ninguém sai ganhando com isso. A conseqüência é óbvia: entopem os canais que deveriam irrigar a estrutura e colocar a máquina para andar.

É nessa hora que também descartamos a resposta dois, a de que existem coisas mais prioritárias.

Veja algumas dicas para uma estrutura de Comunicação Interna bem planejada:

• Valorização do papel dos líderes informais, que motivam equipes, dão leveza aos processos e melhoram o clima geral;

• Implosão dos nichos, os grupos fechados que não compartilham informações. Em geral, o problema acontece pela simples falta de um mecanismo eficiente de interação;

• Uso da informática e das novas tecnologias da informação como facilitadores do trabalho;

• O planejamento de comunicação torna-se uma prática corrente e não uma exceção para contornar crises;

• A Cultura da Comunicação é exercitada numa perspectiva estratégica, tendo como foco a missão e os objetivos da organização;

• A Identidade da organização emerge da comunicação entre os atores que a compõem: da interação nasce a ação;

• Cada área da organização é tratada pela comunicação interna de acordo com suas particularidades e não como se fosse uma coisa só;

• Os materiais de comunicação interna deixam de ser um repositório de informações administrativas e se tornam uma ferramenta de trabalho focada na missão e nos objetivos;

A Comunicação nasceu antes da linguagem e é tão antiga quanto a vida humana no planeta.

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